Se eu fechar os olhos ainda posso me lembrar com perfeição o cheiro do pão quentinho que tinha sempre na casa da minha avó. Impreterivelmente, todas as tardes ela trazia da padaria 2 bengalas de pão, e a gente comia com manteiga que derretia. O leite, sempre daqueles de saquinho, tinha outro sabor do que tinha na minha casa. Até mesmo o bolo pullman que ela tirava da embalagem e recheava com brigadeiro mole, não era igual ao que a minha mãe comprava. Passei todas as minhas férias na casa da minha avó durante a minha infancia e adolescencia. Ela morava no Rio de Janeiro, e acho que a nossa chegada era sempre uma expectativa gostosa para ela. Pra nós também. Lembro que bem na frente do prédio tinha um pé de tamarindo, e bastava ventar um pouquinho e a gente já corria pegar uma sacolinha e desciamos para catar o que caía no chão. Brincavamos numa pracinha que vivia cheia de crianças, areia, estalinhos, sorvete e tudo mais o que criança adora.
Durante anos e anos, essa foi a minha rotina de férias. Quando crescemos, aos poucos os progamas foram mudando e eu deixei de frequentar a casa dela. A gente se afastou, eu casei e ela ainda foi em minha casa conhecer o Pedro. Depois disso eu a vi poucas vezes.
Minha avó acabou de falecer. Recebi uma ligação da minha mãe, entre muitas lágrimas, ainda fora de si pra me dar essa triste noticia. Eu queria estar perto dela para poder lhe dar um abraço, para ajudar a dividir a dor que ela está sentindo agora. Aqui, de longe, é tudo mais dificil...
Minha sogra e minha avó, em menos de 4 meses. Não há como não ficar triste, como não ficar chateada. Tô até pensando em fazer uns arranjinhos de arruda e espalhar pelo resto da família. Porque meu povo, outra dessas eu não guento, não.
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